quinta-feira, 5 de março de 2009

Nomes para uma banda... (parte II)

Grounded Exercise
Ciclo Otto
Britney's Wig
Eu Não Suporto Renato Russo
To Eat Their Bacon
Budistas Facistas
Sous Jeune et Tais Toi
Maiô de 68

quarta-feira, 4 de março de 2009

Se algum dia eu tiver uma banda...

...gostaria que ela se chamasse:

Dança de São Vito (ou, em inglês, St. Vitus Dance)
Monsters Away
Filhas de Karl Marx (é só um nome, não precisa ter conotoção política)
South of Heaven
Daffy Duck's Shotgun (possível violação de copyright)
Bukowski Syndrome
Insane in the Mainframe
Symbionese Liberation Army
Luz Vermelha
(...)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

The Bends

Por volta do final de 1994, o Radiohead era uma banda encurralada entre o sucesso de Creep (o single de 1992) e as expectativas dos milhares de órfãos de Kurt Cobain, que procuravam o próximo rock star atormentado para ser adorado; Creep era um bom single - quem não se lembra dos golpes de distorção desferidos por Jonny Greenwood? - mas não era suficientemente inovador para escapar de sua própria aura pop/grunge e livrar a banda do rótulo de "one hit wonder"; sobretudo, seu sucesso ofuscava todo o resto da produção da banda, como o irregular (mas promissor) disco Pablo Honey (onde, talvez, You seja um ponto alto, acompanhado por Anyone Can Play Guitar).

Da suposta insatisfação da banda com o showbizz e da mente criativa de seus membros, surgiu uma saída. Quase como uma declaração de princípios ou panfleto, o single My Iron Lung representava, simultaneamente, uma auto-crítica um tanto irônica e um avanço estético sem precedentes para a banda. Quando Thom Yorke canta "this is our new song/just like the last one/a total waste of time/my iron lung" está se referindo ao sucesso anterior de maneira um tanto cifrada, um tanto ambígua, relacionando o hit com os equipamentos de respiração artificial dos hospitais (o iron lung do título e da letra) - um apoio, mas ao mesmo tempo, uma restrição. Se as letras da música começam a demonstrar aquele tipo de insatisfação que se tornaria marca registrada de Yorke, a execução era arrebatadora. Gravada ao vivo, no London Astoria, foi lançada daquele modo visceral, urgente, fascinante e impecável! Somente o vocal foi regravado posteriormente em estúdio. Temos ali, uma grande banda (com três guitarristas esmirilhando seus instrumentos sem dó, uma cozinha coesa), uma composição que faz o Pablo Honey parecer coisa de criança pequena e uma letra genial. Estava dado o primeiro passo para escapar da sombra de Creep e de Cobain.

Meses depois, a banda lançou seu segundo LP, chamado The Bends. Melancólico em essência, mas pontuado por rocks competentes, era uma evolução natural - tudo fluía naturalmente do pueril Pablo Honey em direção ao terreno cerebral consagrado posteriormente em OK Computer. No Brasil, a música Fake Plastic Trees ficou conhecida por ter sido utilizada em um comercial de televisão. É uma boa (e tristonha) balada, mas não reflete o conteúdo total do disco. Planet Telex, a primeira canção do disco, investe em um leve experimentalismo, com teclados etéreos e timbres de guitarras carregados de eco se misturando, enquanto Yorke afirma que "tudo está quebrado". Mas, de fato, nem tudo está quebrado. The Bends vêm em seguida, mantendo o bom nível do disco e mostrando mais coesão do que disfuncionalidade. Para quem gosta do Radiohead guitarreiro, é um prato cheio. Aqui, eles tomam o caminho iniciado em My Iron Lung e o ampliam. 

High and Dry é a primeira balada do disco. É cândida e tenra na execução, mas a letra não é exatamente uma propaganda de margarina. É acompanhada de perto por Fake Plastic Trees, desagradando os roqueiros de carteirinha, mas demonstrando que é possível ser, ao mesmo tempo, singelo e inteligente. Se existe nas letras de Thom Yorke qualquer apelo ao sentimentalismo e ao romantismo, ele normalmente estará associado como uma certa desconfiança, um quê de decepção e de fossa, devidamente interpretadas pelo vocalista. Bones anima o disco, novamente as guitarras alternando entre ecos, efeitos e distorções, guiadas por um baixo bem marcado e citações ao Prozac e Peter Pan. Nice Dream, outra balada carregada no violão, destaca-se pelo vocal choroso de Yorke, cordas e backing vocals bem arranjados e vai crescendo para dar lugar à genialidade dos guitarristas Ed O´Brien e Jonny Greenwood. 

O que vem depois? Duas porradas! Just (não perca o enigmático clipe) alterna de humor e leva o ouvinte para uma digressão sobre o egoísmo humano. Greenwood novamente se sobressai e arranca um solo estiloso, calcado em efeitos, que faria Tom Morello ficar invejoso. Em seguida, a nunca-por-demais-citada My Iron Lung, encerra a primeira metade do disco, indicando o cardápio variado que os ingleses tem para oferecer: da depressão à paranóia, com uma parada no sarcasmo e desprezo. 

O clima na segunda metade do disco vai ficando mais soturno. A seqüência estabelecida com Bullet Proof (I Wish I Was), Black Star e Sulk é uma trilha perfeita para uma dor de cotovelo e para os momentos mais introspectivos. Talvez o Radiohead tenha ficado marcado por muito tempo (e com razão) por esta faceta de sua produção musical, mas é preciso ressaltar que eles estabeleceram, para o bem ou para o mal, um filão adotado por bandas como Travis, Coldplay e Muse. A grande diferença a favor do Radiohead é o ineditismo e a produção pouco afeita às convenções do pop. E a conclusão é pode ser tirada a partir exatamente da última música do disco, Street Spirit, linda de doer, original e executada com apuro - dotada de um clima soturno, mas ainda apontando para algo mais. No caso da banda, esse algo mais viria dois anos depois com o impecável OK Computer.





Mas isso fica para outra hora...


sábado, 24 de janeiro de 2009

A Reforma

A Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa está aí, mas ainda não me conquistou. Depois de anos de esforço para escrever (razoavelmente) bem, me sinto um pouco ignorante e apalermado, como se tivesse regredido um tanto na minha educação. Com o perdão da insistência, mas a simples idéia de escrever ideia sem acentuação me parece pouco natural.

Não considero que as línguas devam ser entidades monolíticas e blindadas. Como outros aspectos da cultura humana, mudam, adaptam-se, incluem e suprimem elementos, sofrem com o uso por pessoas e grupos diferentes, em contextos diferentes. É compreensível. Mas, convenhamos, esta reforma parece ser uma modificação inofensiva, mas também preguiçosa e inútil. Tenho a impressão de que suprimimos muitas coisas que dão uma personalidade específica ao Português.

Por enquanto, serei voluntariamente anacrônico. Minhas idéias (paroxítonas com ditongo aberto "ei") continuam com a acentuação.

http://pessoas.hsw.uol.com.br/reforma-ortografica.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u321373.shtml

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

"long time, no see"

A melhor maneira de escrever um blog é preguiçosamente: se todo mundo pode ter um blog, não é privilégio; se quase todo mundo escreve sem remuneração, não é trabalho; e se todo mundo pode ler, é melhor que o texto valha a pena. Qualquer sentido de urgência é uma besteira, é produção de lixo informacional que se acumula e vai parar só-deus-sabe-onde, e é quase um exercício de narcisismo.

Minhas férias foram muito boas, obrigado. Prova disso é o abandono do blog. Vou atualizando isto aqui assim, preguiçoso. Quando sinto vontade e quando acho que tenho algo interessante para dizer. Se as duas condições não ocorrem, simultâneas, a coisa toda vai sendo adiada e postergada...

até breve!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Uma viagem pelo túnel do tempo? Apenas R$ 15,00, por hora.

Chega o final do ano. Alguns entram em um frenesi consumista. Outros, investem na nostalgia e no clima de auto-reflexão. Como não tenho muito dinheiro sobrando, resta-me a segunda opção.

Sim, eu tive um ano cheio. Tive meu momento Clube da Luta: larguei alegremente um emprego seguro, porém monótono e me lancei rumo ao desconhecido. Conheci lugares, conheci pessoas: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Harry Collins, Michel Callon. Nunca viajei tanto, nunca dediquei tanto tempo ao estudo. Nunca senti tanta saudades de casa e das pessoas que vivem lá em Santa Catarina. Presenciei, via internet, a calamidade. Senti na pele as diferenças culturais e a diversidade contida nas dimensões continentais de nosso país. Descobri as dificuldades e as alegrias de ter sido formado, com dificuldades, mas por mérito próprio, em uma Universidade do interior.

Já estava organizando tudo isso, mentalmente, em um balanço do melhor e do pior que me aconteceu no decorrer do ano. Surpresas? Eu poderia jurar que não haveriam muitas outras. Ainda que eu anseie verdadeiramente a chegada do ano no Vale do Itajaí, não julgava que alguma coisa pudesse ainda me libertar da nostalgia e da introspecção reflexiva e pudesse me jogar mais uma vez no meu estado de curiosidade típico de quem é, afinal, curioso.

Na última quinta-feira, meio que me convidando e sem esperar por uma resposta, acompanhei meu colega Rafael ao Banco de Dados do grupo Folha (não é preciso explicar o que é a Folha de São Paulo, não é?). Ele foi por obrigações acadêmicas - era preciso realizar uma pesquisa sobre o histórico de seu objeto de dissertação, o motor a álcool -, mas eu fui realmente movido pela bisbilhotice.

Deixar Barão Geraldo e chegar em São Paulo, de ônibus e metrô, já é uma progressiva mudança de clima. O calmo bairro universitário de Campinas ficava para trás, e cada vez mais os skycrapers paulistanos, as pichações e a fauna urbana (de mendigos, ambulantes, anônimos que se acotovelam no metrô) se agigantavam. O próprio prédio do jornal, apesar de ordinário, trazia imponência lúgubre, meio decadente, de cidade grande; as prensas paradas, mas expostas através do vidro na recepção indicavam que estávamos no lugar certo.

O arquivo, em si, não tinha qualquer indício da solenidade que se espera das bibliotecas, museus ou outros lugares dedicados às velharias. Parecia um escritório normal, e a normalidade estava impregnada até mesmo nos rituais diários das pessoas. Atender telefone, ler e-mail, MSN, ler jornal, matar tempo distante dos olhos de supervisores. Fomos alocados numa mesa, em um canto, e tratados pelos funcionários com a solenidade pouco sincera de quem está recebendo por um serviço: sim, eles cobram pelas pesquisas. Quinze reais para cada hora de consulta, mais o valor das cópias. Um pouco decepcionante, é verdade, mas justificável. Afinal, a estrutura técnica e de mão-de-obra para a manutenção do arquivo (que percebemos ser extremamente abrangente) deve consumir uma boa quantidade de recursos.

De qualquer maneira, a pesquisa correu bem. Imagino que tenha sido produtiva para o Rafael. De minha parte, a curiosidade correu de rédeas soltas. Os recortes e fotos das décadas de 1970 e 1980 transpiravam ácaros, mas também o espírito de seu tempo. Como eram os anúncios? Quais os tipos de notícias que eram destacadas? Quem eram as personalidades? Como escreviam e como pensavam as pessoas, naqueles tempos passados? Não há maneira de responder com precisão, mas todos aqueles registros escritos e visuais são, de algum modo, um tempo congelado, uma representação do passado, legada aos povos de hoje. Uma imagem do passado, conservada pelos interesses da Folha e dos curiosos visitantes-consumidores; nostalgia e consumo não estão assim tão distantes.

A experiência me relembrou dos pendores de historiador que sempre tive, dos domingos de fotos e recordações de minha avó paterna. Mas algo faltava. Do mesmo modo que um turista procura associar-se de alguma maneira com o local que visita, num movimento de superposição do meio ambiente e de seu ego, eu precisava de alguma coisa que me relembrasse da experiência; eu precisava de um troféu, de um souvenir de algum tipo. A minha solução para esta angústia pode não ser muito original, mas cumpriu sua função. Consegui (para meu deleite) uma cópia da capa da Folha de São Paulo, do mesmo dia em que eu vinha ao mundo, na distante e pacata Timbó. E descobri, maravilhado, que enquanto eu chorava pela primeira vez, milhares de pessoas liam a respeito dos desdobramentos do atentado ao Riocentro, se informavam sobre a morte do ativista irlandês Bobby Sands, e acompanhavam as especulações sobre a briga entre Marília Gabriela e Clodovil, nos bastidores da Rede Globo. E tudo isso por apenas dezesseis reais! Impressionante!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"After years of waiting..."

Em poucas palavras:

RADIOHEAD.

no Brasil.

e

eu

vou!




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Enchente, Novembro 2008



Avenida Nereu Ramos - Timbó

(maiores informações sobre a enchente http://allesblau.net/)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

"Ice Age Coming, Ige Age Coming..."

Parece que estamos esperando o novo crash, parece que estamos prestes a repetir 1929. O senso de alarme espalha-se rapidamente: notícias sobre bolsas em queda, bancos falidos, retração e desemprego são repetidas exaustivamente. E os economistas vão adquirindo grandiosa visibilidade - não há notícias sobre essa crise que venha desacompanhada do laudo de um economista.

Ao contrário dos sociólogos que (infelizmente) ainda não conseguiram se estabelecer como membros de uma profissão dotada de grande poder simbólico para explicar a realidade, os economistas são os legítimos especialistas, arautos do apocalipse financeiro que se avizinha. A crise fala através dos economistas: quantos de nós são capazes de compreender o funcionamento de uma bolsa de valores? Quantos podem discorrer sobre a economia estadunidense? A Economia (falando em termos disciplinares) possui, sim, uma variedade enorme de explicações sobre a realidade. Ela é prolífica e polissêmica. Mas nestes momentos de crise parece ser dotada de uma unicidade e densidade inquebráveis. A explicação é exclusividade da Economia.

Mas pensando cá com meus botões, tenho a audácia de sugerir que a Economia é muitas vezes modesta. Em nome desta exclusividade na produção de significados, a Economia restringe seu alcance. Pensamos em termos de um mercado onipresente, pensamos em leis universais. A crise é um construto lógico criada a partir da realidade, é verdade. Mas ela é fruto da visão economicista e não reflete necessariamente a experiência econômica vivenciada diariamente pelas pessoas comuns. Por ser produzida com requintes de cientificidade, possui poder performativo, mas não pode ser concebida como a única realidade econômica possível. Existem áreas da vida econômica cotidiana que a Economia tradicional parece ser incapaz de alcançar. O gerenciamento de recursos domésticos, redes de relacionamento interpessoal ou o consumo de bens com valor estético me parecem ser bons exemplos, mas uma mente criativa pode imaginar muitas outras aplicações cotidianas para a Economia.

A evidência (e iminência) da crise nos dá a impressão de que a Economia está em todos os lugares. A racionalidade do homo economicus parece ser o modelo adotado por todos os seres humanos. Mas não existe uma racionalidade econômica única e universal! Existem infinitas "economias" que dependem de (e modificam) um ambiente social onde estão localizadas. Assim, creio que um pouco de treino em Sociologia e Antropologia não faria mal aos economistas. A noção de um modelo civilizatório único já me parece (quase) superada nestas disciplinas, enquanto os economistas ainda sonham e constroem modelos universais, impondo-os, de um modo ou outro, aos leigos.

O mais curioso é que esta crise aparentemente tão terrível só existe por conta da própria disciplina econômica e sua influência social. Os economistas parecem pais amargurados, discutindo sobre um filho problemático, mas sem nunca admitir que são co-responsáveis pelos problemas. A Economia (disciplina) de certa maneira (re)cria a economia (os mercados) e parece que nem se dá conta disso. Mas, o mundo não acaba quando as grandes economias fracassam. O mundo se modifica, em maior ou menor grau. Enquanto existirem seres humanos, existirão mercados, bens, capitais, enfim, "economias". Acho que a maioria dos economistas ainda não percebeu isso.

(e as bolsas de valores, como andam hoje?)

domingo, 16 de novembro de 2008

Fascínio e distanciamento; fascínio e experiência

Músicos existem por aí, aos montes. Os jovens adolescentes que querem aprender a tocar guitarra para poder montar uma banda, os artistas de rua que esperam uma esmola, os invisíveis operários da indústria musical, anônimos que compõe e gravam os jingles que ouvimos no rádio e televisão. Utilizando uma metáfora visual a qual todos estamos habituados, posso afirmar que eles são a base de uma pirâmide social. Eles são a "classe D" do showbizz.

No topo da pirâmide estão as estrelas da MTV, do rádio e dos programas de auditório. Muitos deles ascenderam socialmente, outros herdaram posições de familiares, outros foram fabricados e colocados no estrato superior por conta de interesses e esforço alheio. Não importa. Todos eles ocupam uma posição distinta: eles são exemplos e estão posicionados onde todos os outros querem chegar; eles têm capacidade de determinar, em maior ou menor grau, a dinâmica deste espaço social, indicando tendências a serem seguidas; eles causam fascínio, apesar de distantes.

Na semana anterior, eu tive a oportunidade de ir ao show do R.E.M., grupo americano que há muito me fascina pela qualidade e pela estética específica. E lá eu estava, reforçando a posição privilegiada daqueles estadunidenses, reforçando o sentido de esoterismo (no sentido de mistério, secretismo) daquelas pessoas. Pessoas normais alçadas à condição de semi-deuses vagando pela Terra? Sim, é verdade. E é assim que o showbizz e o mundo do pop-rock funcionam.

Dizem que a distância garante o encantamento. O que poderia acontecer depois de testemunhar aquelas pessoas ao vivo, sem os recursos e filtros da mídia, da divulgação cuidadosamente estudada? Eles manteriam seu fascínio? Poderiam eles corresponder à expectativa criada em torno de sua entidade coletiva, o R.E.M.? Ou tudo depende dos mecanismos da indústria musical?

Ainda que seja difícil dizer o quanto o fascínio ainda guiava minhas impressões, mas a experiência de vivenciar o R.E.M. ali, a poucos metros de distância, me fez pensar que talvez o showbizz não seja exatamente uma grande construção maquiavélica para criar ídolos e vender discos. O denuncismo conspiracionista anti-capitalista não serve exatamente para muita coisa e a força da apresentação, as boas execuções das músicas, a presença de Michael Stipe no palco não destruíram o fascínio. O encanto foi, na realidade, reforçado pela experiência. Se eles não fossem os famosos músicos, se eu os assistisse em qualquer festival medíocre, eu creio que ainda ficaria impressionado.

Por outro lado, é difícil negar o poder que o público concede quando canta em um uníssono de centenas de vozes. Ou quando aplaude vigorosamente. O êxtase do show de rock deve ser muito parecido, afinal, com o êxtase religioso. Explica-se pelo fascínio, mas também pela dimensão coletiva, de compartilhamento, de comunidade. Tentemos imaginar o polissemia de significados pessoais atribuídas ao hit "Losing My Religion", por exemplo. Ao cantar em voz alta, todos nós reforçarmos este significado pessoal e afirmamos que aquilo possui um sentido específico.

No final das contas, eles possuem condições de causar fascínio por conta de suas qualidades como músicos ou dependem do culto dos fãs? A resposta ideal deve incorporar estes dois elementos. Eles não são semi-deuses, mas também não são pessoas comuns. Eles são bons músicos, mas o show deve muito aos fãs. O evento se explica em si, e não por conta apenas de um suposto poder simbólico do rock star. E, analisando por esta ótica, o show foi uma ótima experiência. They really rocked out!

(um abraço para o Evanio, fã do R.E.M. e companheiro no show!)